Blogando as Idéias Moscounianas  


Queridos amigos.
 
É com muita alegria que venho informar a fusão do meu blog Blogando as Idéias Moscounianas com o Site Foioqueeudisse! Este site, do qual eu muito orgulhosamente faço parte, a partir de outubro será reformulado, abrangendo todos os gostos com novas atrações para ser futuramente o maior site de entretenimento. 
 
Meu blog continuará ativo, no entanto, os novos textos serão postados diretamente na coluna Idéias Moscounianas, no site foioqueeudisse.com.br.
 
Continuarei ainda com a minha coluna tosca Palavra do Chorume. Mas haverá o outro lado da moeda dividindo espaço com os outros colunistas do site mais bate-boca da internet.
 
Entrem, naveguem e conheçam mais este site. Vale a pena.
 
Para provar acessem o novo texto Tudo acaba em Samba: www.foioqueeudisse.com.br   Idéias Moscounianas - do lado esquerdo da tela.
 
Espero que gostem e continuem com a assiduidade de sempre.
 
Beijos e abraços
 
Marcos "Moscou" Credie

Escrito por Moscou às 16h32 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A Praça é Nossa

O centro de São Paulo é incrível.

Na Praça da Sé o barulho do sapato batendo forte no chão se confunde com os berros dos arrebatadores de almas pregando o evangelho debaixo do sovaco. Alguns passos a mais e lá estão os repentistas que ao som dos pandeiros alienam por alguns instantes os cérebros workhollic, enquanto os olhos dos transeuntes desviam o foco das promoções e se atentam às mãos de garotos descalços que buscam sorrateiramente alguns trocados para colar as suas idéias.

Olha-se para cima e estão os prédios de uma antiga cidade próspera que ostentava a competência de seus habitantes, olha-se para o chão e lá está a prosperidade que não vingou junto da sujeira espalhada por suas calçadas e ruas.

Vê-se a miscigenação da raça brasileira. Encontra-se o angu do emaranhado de culturas e religiões transbordando dos olhos e trejeitos dos vagabundos, dos sem-chance, dos advogados sempre apressados ou dos policias sempre alerta.

Mas enquanto essa imensidão hiper-nutritiva de vida ocorre, macula o nosso olfato o fedor dos moradores de rua que vagueiam sem esperanças, se embriagando e complementando o cenário mais excêntrico que os sentidos podem desfrutar.

Esse aroma de corpos largados às traças curtidos na pinga, no mijo que sai despercebido entre uma pestana e outra e com a nítida falta de banho, são fortes ao ponto de enjoar as pessoas que transitam pelas calçadas.

Esse bodum dos mendigos é conseqüência de dois fatos. O primeiro, da precariedade social de São Paulo, marginalizando uma população nas ruas, sem lhes dar o que comer, onde dormir e sequer tomar banho.

O segundo, biológico, inerente a raça humana, é o cheiro que o homem nas condições acima atinge. Cavalo ou cachorro nenhum alcança a flagrância que o cheiro de gente mal lavada produz. E a constatação, instintiva do homem, sempre vem acompanhada de náuseas. Talvez por imaginar as condições de vida do semelhante para chegar naquele estado.

Uma, sem dúvida, é o resultado da outra. E ambas são sérios problemas sociais não solucionados.

No primeiro debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo houve uma discussão acerca desse problema: projetos para  incluir os excluídos e marginalizados.

Os candidatos tinham suas respostas na ponta da língua, falaram dos números já executados e de suas metas folclóricas a cumprir, caso sejam eleitos.

Pareciam ignorar a dificuldade em administrar uma cidade do tamanho de São Paulo na a atual fase política, dando oportunidades, trazendo à lucidez e re-utilizando esses marginais em nossa sociedade.

Mostraram, mais uma vez, que promessas são feitas e o descrédito político pelos populares irá aumentar.

Pode ser que troquem postes de iluminação, conservem as fachadas dos prédios, refaçam o pavimento do piso e re-urbanizem a praça. Ou então até construam novos centros para apresentações artísticas.

Mas os mendigos, e principalmente o cheiro da Praça da Sé são metas sem solução. Até porque o odor de ser humano marginalizado é só um. E serve de parâmetro, seja onde for, para medir o descaso do governo para sua população.

Para o azar dos políticos e de quem anda pelo centro de São Paulo.


Escrito por Moscou às 13h57 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





O homem-bomba

Enquanto o mundo continua girando para o lado esquerdo, em outra esfera, a da diplomacia e das questões mundiais de segurança, discussões em mesas de veludo sobre os programas nucleares de alguns países estão acontecendo.

Não sei quanto ao leitor, mas desde criança átomos, íons e prótons em movimento multiplicados por forças radioativas, uma bomba atômica, sempre me assustaram. A hipótese de andar na rua e ver um cogumelo gigante subir e depois entre um passo e outro virar uma estátua torrada nunca me desceu bem.

Cresci ouvindo falar de Angra, cidade paraíso dos magnatas e da degradante Ilha de Caras, que construiu uma usina nuclear para em sua alquimia de professor Pardal gerar energia para parte de nosso país. Como se não tivéssemos quantidade de água a dar com pau e terrenos propícios para a construção de hidroelétricas em nosso solo.

Um passo um tanto arriscado para uma nação cheia de bundas como a nossa, em que qualquer operador de máquina no oba-oba ou na iminência de um happy-hour de uma sexta-feira qualquer se desconcentra e pode mandar tudo pelos ares.

Já o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad (que nominho do cacete) elogiou o respeito do Grande Satã – os Estados Unidos – com mais outras cinco potências, em tratar sobre o seu programa nuclear, na esperança deste país deixar de lado seus projetos atômicos incentivando-o política e economicamente.

Ahmadinejad, já broxando os diplomatas e líderes dessas potências, afirmou que não vai abrir mão de seus brinquedinhos nucleares e que a sua nação não irá recuar frente à pressão, embargos  e ameaças dos países que comandam o terror da globalização.

A comunidade internacional tremeu na base.

Para os que não se lembram o Irã é um país aproximadamente do tamanho do estado do Amazonas, onde tem o islamismo xiita como religião principal de sua população. Através de seu atual presidente vive uma política nacionalista cerrada, eliminando qualquer influência externa, principalmente a do Grande Satã, o maculador da humanidade.

Resumindo, é um celeiro de homens-bombas dispostos a mandar os seus corpos pelos ares junto do que o alcorão diz ser pecado.

Mas pior do que um ou outro homem-bomba que se explode e leva junto algumas dezenas de pessoas, é um país bomba, disposto em acabar com várias vidas senão a humanidade com uma simples dedada em um botão.

Guerras mundiais, planeta terra explodindo, mamãe pegando fogo na cozinha, big bang artificial que aos poucos foram deixando de assustar os mais antenados continuam com uma pontinha de verdade.

E isso se comprova quando vemos Condoleeza Rice, neurótica mal-comida com pelo na bunda, ficar pianinho frente à maluquice dos brimos do oriente médio.

A paz tem mais do que nunca ser fortalecida entre os países que se estranham.

Pois se houver um deslize nas relações diplomáticas, uma pisadinha de bola que seja os barbudos vestirão suas túnicas brancas, rezarão para Ala e cortarão o cabo do elevador sem se importar em estar dentro.

Afinal, segundo o Alcorão sacrificar-se por Ala é lindo e vão, num vôo sem escalas, direto para o paraíso onde 70 virgens os esperam com lingeries, essências afrodisíacas, Thai Massage e água de coco.

Mas e pra mim, o que eu vou ganhar com isso?

 


Escrito por Moscou às 10h29 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Emo-ssexuais

Lembro meus tempos de criança em que assistia freneticamente à MTV. A aquela época começava o movimento grunge e bandas de calibre como Pearl Jam, Nirvana, Faith No More e de outro lado Guns N' Roses e Metallica eram disparadas as mais freqüentes daquele até então recém-surgido canal de televisão.

Embalado por aquelas músicas, enquanto aguardava o chamado do interfone do meu prédio para descer e jogar futebol com os amigos costumava, no auge da minha estupidez, pegar uma raquete de tênis amarela fluorescente Donnay e dublar o Slash - o guitarrista do Guns - solando as suas músicas.

Era uma cretinice sem tamanho. Confesso.

O tempo passou, grupos de rock acabaram, outros surgiram e as bandas boas, com atitude e musicalidade, continuam sendo as de antigamente.

Mas essa carência musical reside principalmente no movimento que a juventude segue: o movimento emo.

Para começar, somente um ser imperfeito como o humano e agravado pela babaquice juvenil pode seguir alguma tendência como essa.

A sociedade não está preparada para os emos com as suas franjas na testa, cabelos pintados, roupas pretas, piercings que mais parecem os anzóis que meu avô usava para pescar e a sua principal peculiaridade: a emoção. O emo, acima de tudo, é bicha emotivo.

O emo chora, é sensível à natureza, aos bons modos, aos seres de bem. É sensível ao ponto de tatuar lagrimas saindo dos olhos. Ele é triste, pois o mundo não está de acordo com o que acha correto. No fim das contas é uma mistura do gótico Edward – O Mãos de Tesoura com algum tipo de Playmobil homossexual.

Ainda na onda de degradação humana, a geração emo é a responsável por acabar com a língua portuguesa. "Pq Emo excReVe aXim!" É algo terrível, irritante que dói nos olhos.

As letras das músicas dos emos (se é que dá para chamá-las de música) são pagodes, onde o pandeiro cedeu lugar às guitarras. Detalhe, ao fim dos shows, os vocalistas se jogam no chão, choram e se mijam de tanta emoção.

E o filete de mijo, que escorre pela calça do emo acaba ensopando o All Star, que é sem dúvidas o calçado que a garotada emo mais gosta de usar.

Vejam que interessante, a empresa Converse - All Star existe há quase um século e revolucionou ao fazer um calçado de lona com solado de borracha, inovando os sapatos que eram usados naquele tempo.

Após diversos modelos, principalmente voltados para basquete, em 1966 foi criado All Star cano curto que calçou os pés dos roqueiros e se tornou referência e febre mundial.

Poderia citar diversas entidades de respeito, dos punks aos grunges, que vestiram os All Stars e ajudaram a firmar o conceito que hoje este calçado tem.

Uma pena que ao longo desses anos um acessório com uma história tão legal termine como acessório de fetiche para os emos.

Só resta ao All Star, após mais de um bilhão de exemplares comercializados, chorar de tristeza por estar nos pés errados.


Escrito por Moscou às 13h51 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





A Lei Seca e suas Peculiaridades

A 18° Emenda Constitucional dos Estados Unidos que instituiu a Lei Seca naquele país em 1919, teve o importante papel em ajudar o blues a "descer  o morro" e ser difundido nas cidades e, posteriormente, no mundo.

Quando a ingestão de álcool se tornou crime, os guetos americanos para onde os negros eram excluídos abarrotaram de homens atrás de bebidas contrabandeadas que, sentados nos balcões dos bares, suprindo o vício ou degustando a contravenção, ouviam a levada cheia de suingue das guitarras.

A Lei Seca canarinha nada mais é do que um enrijecimento das normas e penalidades quando flagrado dirigindo bêbado, o que já era tipificado como crime. Com a nova lei a quantidade aceitável de álcool presente na bafa se tornou muito mais severa, podendo ser considerado um criminoso quem tomou uma lata de cerveja ou um chocólatra compulsivo que devorou algumas trufas com licor.

Mas o regulamento que visa reeducar os hábitos do motorista brasileiro punindo financeiramente, caçando a habilitação ou apreendendo o veículo possui algumas peculiaridades que poucos sabem.

Primeiramente, a alteração do texto que infringe preceitos constitucionais foi proposta por uma bancada altamente sensível a lobby dos taxistas. Antônio Alves "o taxista" (Fábio Jr.), aquele da novela no SBT, apoiado pelo Cãozinho dos Teclados e por Clodovil Hernandes foi o senador que propôs a lei na câmara.

Se constata tal lobby quando vemos que os choferes pagos serão extremamente beneficiados, pois correrão na bandeira 2 durante todo o percurso, podendo até cobrar além do devido, já que o pingão sentado no banco de trás nem vai perceber. Isso sem falar no sempre superfaturado "adicional gorfo" no caso de algum passageiro regurgitar a empada que desceu quadrada antes da festa.

Na Constituição Federal encontramos dispositivo que veta a obrigação de qualquer pessoa fazer prova contra si. Caso exatamente análogo ao do bafômetro. Portanto, nenhum policial pode forçar motoristas a fazer um blow job em seu aparelho de averiguação. Caberá a autoridade judiciária, junto de outras provas produzidas no inquérito e de seu livre convencimento, entender se fulano estava ou não infringindo a lei.

Logo, compete ao pinguço decidir se faz o quatro antes, na esportiva, ou fica de quatro depois, na cadeia. É tudo questão de opção.

Sem poder guiar e beber, as festas no AP serão cada vez mais freqüentes confrontando a Lei do Psiu e da vizinhança. Já pensaram no angu que vai ser nos condomínios? Serão tantas reclamações que a polícia, que deveria fiscalizar as pessoas com bafômetros nas ruas, de prédio em prédio e de casa em casa, não terão tempo para pegar os motoristas alcoolizados.

Mas o que me amedronta nessa lei, é a influência que o taxista terá em nossa sociedade. Alcoolizadas as pessoas não terão o discernimento para bloquear os sinais subliminares de dentro dos taxis. E, daqui em diante, quem beber estará suscetível a escutar as rádios que os taxistas ouvem, a maneira que os taxistas se vestem e o pior, o modo como os taxistas dirigem.

Não será difícil observar em pouco tempo homens usando camisas regatas por baixo de camisas sociais, meias de seda e cabelos cheios de goma esticados para trás. E isso tudo sem falar no número de mulheres dirigindo taxis que vai crescer.

Enfim, a lei já está em vigor e não tinha hora pior para promulgá-la, pois com o trânsito cada vez mais caótico em São Paulo, para agüentar dirigir nessa cidade, só estando bêbado mesmo.

Vai ser um porre.


Escrito por Moscou às 17h24 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Como Reclamar no Brasil

Nosso país realmente está afundado na lama. E não precisa ser nenhum cientista político, muito menos leitor assíduo de jornais para tomar conhecimento da pobreza, corrupção, falta de recursos, de administração e etc.

Diante de tal situação, nós, cidadãos de boa fé, aparentemente não temos muito o que fazer  senão abaixar nossas cabeças e continuar aceitando e contornando da forma que conseguimos tudo que emerge contra nós em nossa vida de gado. E o pior, mesmo que indignados façamos algo, não haverá solução e ficaremos sem retorno algum, continuando as coisas do jeito que estão, não é mesmo?

Não existe pensamento tão estúpido e medíocre quanto este que acabei de formular acima.

Atualmente dependo do poder judiciário para exercer a minha profissão. Cada vez que vou ao fórum pego filas intermináveis, funcionários públicos psicóticos e despreparados, processos empoeirados e, quase sempre, não volto para casa com meus problemas resolvidos. Não por incompetência minha, mas sim, por ter de esperar por alguma solução que venha do outro lado do balcão.

Mas o pior das filas, não bastasse aguardar em pé tempo superior ao Jornal Nacional, é agüentar outros colegas reclamarem incessantemente do inferno que a justiça se tornou.

Falam mal dos juízes, do governo, dizem a situação ser uma pouca vergonha, levantam seus dedos para o céu, clamam por justiça e por seus direitos, mas e daí? O que resmungar os absurdos numa fila vai mudar?

Se existe um mal do povo brasileiro é que muitos são enfeitiçados pela maldição acomodada de criticar. Brasileiro reclama muito e pouco faz.

Não basta reclamar, xingar e se indignar no sofá de casa frisando para algum parente a merda em que vivemos balançando a cabeça desiludido. 

Se queremos mudanças é preciso executar nossos direitos. E agir é fazer muito mais do que somente reclamar. E ação não é protestar na paulista, atirar pedras contra o batalhão de choque ou então tirar a roupa e correr em meio a festas nacionais.

Por muito menos que imaginamos conseguimos melhorar algum setor de nossa sociedade. Mas primeiro, é necessário olharmos para nós mesmos. E operar micro-revoluções para uma posterior macro-mudança.

Comece em casa poupando água, sacos plásticos e agindo em conformidade com o que é bom para o meio-ambiente (e essa terminologia engloba não só a selva, mas principalmente as grandes cidades).

Depois, pegue e-mails dos deputados, vereadores ou senadores (veja abaixo Links Úteis) para quem votou ou para os que estão levantando a bandeira de nosso Estado ou região e envie e-mails cobrando e pedindo explicações sobre o tempo em que estão nos representando. Mandem um, dois, quantos e-mails forem necessários até obter alguma resposta que julguem satisfatória. E ninguém será perseguido por praticar um direito que é seu!!!

Denunciem. Toda entidade tem alguma corregedoria onde funcionários estão trabalhando para ouvir a sua reclamação e averiguar o que foi caguetado. Indaguem pelas situações indignas e o que será feito para corrigi-las. Sejam chatos mesmo.

Não adianta mais prevenir. Chegamos num ponto que, se não arregaçarmos as nossas mangas e efetivamente participarmos da administração vamos sofrer, e muito ainda, com as barbáries de  nosso cotidiano.

Não custa nada, e quem ganha somos nós mesmos.

 

Links Úteis

# Congresso Nacional (deputados federais e senadores em Brasília – os façam cortarem os pulsos)

http://www2.camara.gov.br/deputados/index.html/loadFrame.html

 

http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp

 

# Assembléia Legislativa do Estado De São Paulo (veja o deputado estadual que te representa e irrite-o)

http://www.al.sp.gov.br/portal/site/Internet/menuitem.1f3810a62c9d6c848a3ff5af850041ca/?vgnextoid=4b9115f2ff7a7110VgnVCM100000590014acRCRD

 

# Câmara dos Deputados (Veja teu vereador, e faça-o desejar a morte)

http://www.camara.sp.gov.br/vereadores.asp

 

# Para os "Adevogados" Ouvidoria Do Tribunal de Justiça de São Paulo (Perguntem e cobrem as malditas melhorias)

http://www.tj.sp.gov.br/ouvidoria/oqe.aspx


Escrito por Moscou às 14h23 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Cults e Pseudos-alguma-coisa

Para os Cults e pseudos-intelectuais de plantão.

Que acreditam ser inteligentes o bastante para negar a vaidade e usam acessórios da década que gostariam ter vindo ao mundo, enganando-se, forçosamente, que roupas são meras formalidades.

Que chocam os populares com seus cabelos, óculos e chapéus excêntricos, passando a falsa impressão de que não estão nem aí para a moda ou tendências, quando na verdade vivem uma onda do passado.

Que idolatram Che Guevara e em suas conversas nas mesas de bares de copos sujos e azulejos engordurados encontram as fórmulas perfeitas para uma humanidade justa, mas não as tiram do fundo do copo para ajudar realmente quem precisa.

Que crêem ser intelectuais o bastante para se render a empregos "ordinários" e arregaçar as mangas de sua velha jaqueta de camurça (parecida com a que Chico Buarque usou na capa de seu disco de 70) e ganhar o dinheiro, que julgam ser maculado pelo capitalismo.

Que se julgam sensíveis demais para o pop que a massa aprecia, e se afundam em outros movimentos culturais dos quais não entendem porra nenhuma (até porque são de impossível compreensão), mas não hesitam em morder a haste de seu óculos quadradinho de armação espessa, jogar o cachecol para o lado e tecer o seu comentário sem-pé-nem-cabeça sobre o incompreensível, para que todos ao seu redor ouçam.

Que mergulham na cultura do passado quando as manifestações sociais borbulhavam nas esquinas e fazem do movimento da velha guarda o seu refúgio, criticando tudo que é novo, afinal, "não se faz mais música e arte originais como antigamente".

Que são Cult, incorporando o tosco, o brega e na outra ponta, admirando filmes chatos e entediantes estrangeiros ou nacionais, simplesmente por passar emoções das quais as vêem todos os dias a sua frente, mas as ignoram, por na realidade serem normais demais.

Que a cada minuto de conversa necessariamente usam as palavras: sociedade, valores, inversão, arte, intervenção e burguesia.

Que acampam nas reitorias de suas universidades onde sem uma formação escolar paga e decente não entrariam, perdendo a razão e plagiando perversamente aqueles de 64.

Que se afundam em drogas julgando ter de sair da realidade amarga e injusta da vida que sequer tentam melhorá-la com alguma reação inteligente.

Que cultuam barbas mal aparadas e não tomam banho para reforçar o estereótipo esquerdista dorme-sujo,

Para vocês, cults ou pseudo-intelectuais, assim como minha finada vovózinha dizia: vão catar coquinho!


Escrito por Moscou às 12h19 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Éumazonas

A mecânica programação de minha versão pirata do Word 2007 reconhece equivocadamente diversos vocábulos tupiniquins como se fossem da língua inglesa, convertendo automaticamente a correção do texto para o idioma estrangeiro.

No entanto, para driblar o sistema da Microsoft, tenho que escrever algumas palavras genuinamente brasileiras para que ele entenda se tratar do idioma canarinho e não grifar o resto das palavras digitadas.

Sem fundamento algum, o grifo colorado aparece em palavras como futebol e bunda, mostrando nitidamente que o pacote Office 2007 não entende nada de Brasil. No entanto, a bitolada correção automática entende brasileiras palavras como feijão, arroz e, principalmente, Amazônia.

Com a saída mais que justificada da rainha das olheiras Marina Silva e com a entrada do otimista bicho-grilo Carlos Minc no Ministério de Meio Ambiente do governo Lula, discussões acerca do pulmão do mundo, como gostam de chamar a Amazônia, voltaram a bombardear nossas imprensas nos últimos meses.

O crescente desmatamento da floresta e o interesse de países estrangeiros em valer-se de sua diversidade e produtividade que alegam ser patrimônio mundial, levantou discussões sobre as ações federais contra desmatamentos de áreas protegidas dessa selva.

Não se vê ações efetivas do governo para proteger nossa floresta tropical. Qualquer movimento nesse sentido é como se estivesse indo contra fantasmagóricos interesses que não combatem o problema diretamente na fonte, estagnando-se somente numa superficialidade esperando o episódio cair no esquecimento. (uh!, que novidade)

Madeireiras e o plantio de monoculturas desmatam áreas da floresta todos os dias. Tiram proveito do (conivente?) despreparo das entidades zeladoras das quais muitas fiscalizam áreas maiores do que muitos estados brasileiros com apenas quatro ou cinco fiscais.

Algumas atribuem aos índios a impossibilidade de fiscalizar, já que os fiscais não podem adentrar nas suas reservas. Só que nesse lenga-lenga, os desmatadores entram, cortam e exportam e o governo observa atentamente tudo pelo lado de fora, sem executar as leis em prol do meio ambiente.

Como proteger a maior floresta do mundo sem investimentos e entidades capacitadas para tanto? Não há meios de babysitear uma floresta como essa sem o comprometimento do governo às questões ambientais, o que se comprova quando bem-intencionados ministros pedem demissão frente ao visível desleixo por parte de alguns. Não basta fechar os punhos e bater firme na mesa alegando que a Amazônia é do Brasil, se não conseguimos sequer fiscalizar as menores áreas de proteção. Não basta mais conscientizar, é preciso punir e agir antes que mais árvores e reservas virem catástrofes em nosso país.

Para definitivamente sentar em cima desse baú de recursos naturais nosso governo tem que fazer por merecer. E tem que fazer rápido.

Afinal, como dizem as mulheres ignoradas: quem não dá assistência, abre a concorrência. Só sei que nessa questão ambiental, como em qualquer outro setor de nosso país, tem alguém ganhando muito dinheiro com essa história.


Escrito por Moscou às 11h35 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Nova Bactéria e Vírus

É crescente o número de pessoas que adoecem em nossa cidade. A mistura de poluição com o ar seco, transforma nossos corpos em confortáveis hospedeiros para vírus e bactérias que, junto das foligens dos gases emitidos, se acumulam em nossos pulmões causando diversos tipos de enfermidades.

Como resultado dessa gororoba vemos doenças respiratórias, gripes e vários tipos de  infecções nos sistemas do corpo humano entulhando as salas de espera de pronto-socorros dos hospitais.

O mais irônico nisso tudo é ouvir que estes seres que nos fazem mal estão sofrendo mutações, se tornando cada vez mais poderosos e agredindo nosso sistema imunológico, que impotente, não consegue acompanhar o aperfeiçoamento de seus adversários.

Ou seja, todos evoluem, menos o bípede erectus racional.

Hoje é comum em rodas de amigos: “é um vírus novo que está derrubando todo mundo”, “é uma bactéria nova que está no ar”, entre outros rumores sensacionalistas sobre o que não podemos enxergar a olho nú. Parece até a notícia de novas contratações no futebol ou fuxico digno de flashes e manchetes em tablóides londrinos.

No entanto, para combater essas bactérias temos de nos drogar suportando doses de antibióticos capazes de ressuscitar um urubú no estado de putrefação e, paradoxalmente,  enquanto sofremos os seus efeitos colaterais, assistimos nas telas uma safra crescente de filmes de super-homens e imortais seres-humanos.

Fico cá com meus botões imaginando me transformar em um desses seres indiferentes a doenças malignas, parando no peito balas de revólver, voando (solucionando de vez o problema do trânsito) ou até enxergando a intimidade alheia por de baixo de um vestido através da visão raio-x.

Mas colocando os meus pés no chão, me pergunto se estes filmes estão mascarando a nossa nítida vulnerabilidade ou simplesmente passando o recibo de tal tese?

Mês passado, afundado em uma cama de hospital devido a uma pneumonia, como uma ingênua criança rezei para Deus me transformar indestrutível, forte o bastante para deixar minhas dores e minha pouca energia de simples mortal e levantar da cama para retomar as atividades de meu cotidiano.

Despretensioso, nem pedi tal transformação para salvar o mundo contra os planos diabólicos de poluidores do meio-ambiente, Luís Inácio Lula da Silva, entre outros personagens “do mal”.

Deus, obviamente, não me deu o gostinho em me tornar inabalável por alguns dias. Provavelmente, com receio em criar o Super-Moscou.

Tive de me recuperar, como todo ser de carne e osso, repousando, me alimentando bem e, como não poderia faltar, com as sofridas doses dos antibióticos.

Mas já pensaram se ele mudasse de idéia?


Escrito por Moscou às 14h02 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Show de Horror

No último mês, os meios de comunicação exploraram de uma forma avassaladora as notícias sobre o assassinato da menina Isabella.

Juristas, criminalistas e peritos judiciais debatiam as hipóteses e desdobramentos do caso e antecipavam versões do que ainda estava sendo investigado, por mais claro e já resolvido que o crime estivesse para os demais.

É de se admirar a energia do sensacionalismo televisivo que por dias plantou sedentos repórteres nas casas dos investigados que acompanhavam, passo a passo, os laudos periciais, a movimentação dos familiares e a comoção irracional de toda a nação brasileira. Ou quase toda.

O resultado dessa busca desenfreada por ibope foi uma ressaca da pobre menina, onde qualquer nova informação sobre o inquérito de sua morte incomoda a paciência de muitos.

Mas para uma maioria, ouvir sobre Isabella alivia a ansiedade em saber das minúcias do que realmente aconteceu, suprindo o apetite humano em saber das desgraças alheias.

Para encabeçar as paradas de audiência e aguçar a curiosidade da maioria da população, este crime reuniu as qualificadoras necessárias: foi cometido entre parentes, com brutalidade e numa família de classe média alta. 

Os crimes que chocaram o país como o assassinato da Rua Cuba, Suzane Richtholfen, Gil Rugai, que todos os anos são lembrados, tinham essas mesmas condições.

Se Isabella morasse em uma favela seria diferente. Por mais cruel o modo que fosse tirado a sua vida, não haveria chance para que as suas iniciais fossem impressas na página de algum jornal. Aliás, assassinatos e abusos contra crianças cometidos por parentes próximos acontecem diariamente nas periferias de São Paulo e nada ouvimos a respeito.

De certo modo, é ótimo que barbaridades como essa não sejam jorradas em nossas casas. É apocalíptica a perversidade e crueldade do homem, e todos os dias, ter de encará-las, levaria muitos a loucura.

Mas pior que dar de frente com a face podre do homem, que, diga-se de passagem, existe em todos nós, é transformar a pobre Isabella em um mártir. Aproveitar a estúpida emoção que clama por justiça embaixo de fantasias do Bin Laden, arremessando pedras e ovos no já indiciado casal, e ganhar dinheiro em cima disso tudo.

Crimes como esse acontecem e vão continuar acontecendo. Segundo Einstein, só há duas infinitas no mundo: o universo e a estupidez humana. E humanos (psicóticos ou não) cometem imbecilidades constantemente.

Mas usar de uma falsa sensibilidade para fomentar a tragédia na televisão, ultrapassa todos os limites da moralidade.

As emissoras deveriam ser responsabilizadas por atitudes como essa. Desrespeitam não só a menina morta, mas como toda a sua família, que não bastasse ter de aceitar o fato de seu ente, pai da criança, tê-la assassinado, ainda têm que agüentar essa masturbação diária em volta do caso.

Em meio a isso tudo, só me resta esperar que a menina Isabella, um dia puxe os pés de todos os abutres que estão fazendo da sua morte um circo.


Escrito por Moscou às 21h43 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Rock 'n Roll forró!

Em meu último texto escrevi sobre os benefícios que seriam agregados em nosso país caso todos os brasileiros tornassem profundos conhecedores de futebol.

No entanto, ouso discordar de minha idéias de dias atrás. O futebol não é a salvação de nossa pátria, mas sim, o rock `n roll.

Assistindo ao filme “The Rolling Stones – Shine a Light”, em que Martin Scorsese maestramente filmou o show da banda liderada pelo bocão Mick Jagger, ficou nítido que esta entidade espiritual ou musical salvaria o Brasil da lama em que afunda.

Com um jogo de luzes e closes que captaram a essência e vibração dos vovôs do rock, Scorsese mostrou as benfeitorias que este estilo de vida trás a quem faz deste ritmo o seu senhor.

Mick Jagger, tirando as suas rugas, dançou e cantou como um adolescente, nem parecia que os sessenta e poucos anos batia em sua janela. Keith Richards, o imortal, assim como o baterista Charlie Watts e o guitarrista Ron Wood, todos sessentões, por suas performances dentro e fora do palco contestaram o que dizem os médicos e cientistas sobre viver desregradamente abusando de álcool, cigarros e drogas.

Mostraram durante o documentário muito humor, sorriam e estavam de bem com a vida o tempo todo e para aqueles que os subestimam, deixaram claro que ainda têm muito por vir em cima dos palcos.

Quem também se mostrou ser um filho do rock `n roll foi o “garanhão italiano” Rocky Balboa em seu último filme. Rocky mostrou que está em plena forma física e mental, não perdendo a sua essência nas lições de vida que passa à todos através de seus ganchos e guinadas na vida. E isso, aos cinqüenta anos de idade. 

Não é de hoje que roqueiros em suas entrevistas dizem que o rock rejuvenesce. Mais que isso, o ritmo do capeta, como alguns o consideram, faz de seus filhos eternos adolescentes.

Talvez o rock realmente seja uma invenção do chifrudo. Onde quem se entrega ao poder dos overdrives assina um pacto com o “impronunciável” e tem a sua alma eternamente conservada. O rock age como um formol de espíritos, de mente e conseqüentemente, de corpos. Produto que somente belzebu pode oferecer.

Realidade ou ficção, sua principal característica é manter nas pessoas o espírito jovem. E espíritos joviais têm mais atitudes que as almas envelhecidas. Contestar, agir sem medir as conseqüências, lutar pelo o que se considera correto são alguns atributos de quem vibra com um bom riff de guitarra.

A juventude tem o poder das mudanças. Não importa em qual setor da sociedade. Os jovens e suas ações hoje, são o futuro da nação amanhã.

Se o rock fosse introduzido com mais afinco em nossa sociedade presenciaríamos mudanças mais efetivas em menor tempo. Haveria mais energia, atitude, contestação, mais emoção em nosso dia-a-dia. Qualidades que hoje temos de buscar e nos espelhar ainda nos jovens de quarenta anos atrás.

Uma nação roqueira ou no mínimo a sua juventude, faria uma grande diferença em nosso país. Quem sabe assim Jimmy Hendrix, John Lennon, Elvis entre inúmeros outros, parem de ficar se remexendo em seus caixões.

Ou algum deles foi cremado?

 


Escrito por Moscou às 14h19 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





País empelotado

Chegou a hora de jogar seus livros pela janela, boicotar a política, a economia e o desenvolvimento de nosso país, ler somente o caderno de esportes dos jornais e sentar em frente a televisão, agarrar uma cerveja ignorantemente gelada e assistir os reprises de todos os jogos de futebol da última semana.

Vamos todos nos tornar profundos conhecedores de futebol!

“O menino endoidou de vez”, é o que provavelmente vão sussurrar ao ler o primeiro parágrafo deste texto. Mas não, meus caros leitores, não estou maluco e muito menos devaneando, se trata, e isso digo com certeza, de um pensamento visionário, que se seguido, irá acrescentar em muito ao nosso querido e amado país do futebol.

O futebol, assim como as fotos de belas mulheres em biquínis, o corcovado, Carmem Miranda entre outros, foram os propulsores do reconhecimento de nosso país no mundo. É verdade que muitos ainda nos consideram parte da Argentina, acreditam que vivemos em meio a macacos ou vamos ao trabalho enfurnados em um bloco de carnaval cheio de mulatas de fio-dental, mas não erram ao assimilar a bendita redonda ao nosso país.

Atualmente vivemos uma fase do cão, me faltariam dedos para elencar tudo de ruim que acontece em nossa terra, poucos são os motivos para o nosso povo tão sofrido sorrir e a desgraça e absurdos políticos diariamente insistem em nos lembrar a bagunça em que vivemos.

Porém, o esporte inventado pelos ingleses e trazido por Mr. Charles Miller, purifica a alma de nossos conterrâneos e funciona como um ópio perante toda a sociedade. A santa pelada assume a função da religião com muito mais efetividade e por vezes vem a ser a única fonte de felicidade de nosso povo.

Ganharíamos muito se todos os brasileiros fossem peritos nesse esporte. Para começar não haveria de forma alguma a incômoda “falta de assunto”. Para os mais tímidos, por exemplo, em meio a uma difícil batalha na sedução de uma bela moça, poderia com êxito ser falado: “e que golasso do mengão, hein?”, provocando brilhos nos olhos da moça a ser conquistada.   

E se assim fosse, seria possível presenciar uma conversa em um salão de beleza sobre o esquema tático do técnico Dunga, enquanto uma moça faz luz em seus cabelos e a outra arranca as cutículas que a chuteira nova, que usou no rachão do sábado, maltratou. Os bares nas rodadas de quarta e domingo iriam ser predominados por eufóricos grupos femininos que teriam a sua própria liga de futebol e saberiam os nomes e habilidade de outros jogadores além do famoso Kaká.

Difícil seria agüentar nosso “acramado presidento” triplicar os números de analogias entre o Brasil e o “curíntia”, time do coração de nosso representante e quem sabe o Rei Pelé não seria o Ministro do Futebol, como assim existiria tal ministério.

A oferta de empregos iria dobrar, pois a cada time que se forma, é criada uma folha de pagamentos com no mínimo 50 pessoas, fora o aumento do staff dos patrocinadores que além do pacote Office requisitaria “vasto conhecimento em futebol”, para futuras contratações.

Com a supremacia boleira nossos políticos se orgulhariam freneticamente por nosso país e lutariam com suas garras para defender nossa terra de interesses exteriores que prejudiquem nossos objetivos internos.

Caso não haja êxito nesse plano e não injetemos em nossa população o dever cívico de conhecer profundamente o futebol, sofremos o risco de perder nossa única fonte de orgulho e restará somente a lembrança que um dia fomos pentacampeões em alguma coisa.

O que seria das conversas de elevador, das corridas de táxi ou das informais conversas com nossos porteiros ou manobristas caso isso aconteça? Como iremos nos portar fora de nosso país sem o orgulho de usar uma camisa do time canarinho?

Além disso, teríamos de enfrentar nossos problemas sociais e políticos, levantar de nossas poltronas e tomar alguma atitude para melhorar algum outro setor de nosso país, afinal, não há como viver somente em meio a lamentos.

Nada seria tão embaraçoso e cruel para nós, brasileiros.

 


Escrito por Moscou às 19h44 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





São (paranóicos) Paulo

“Alguma coisa acontece no meu coração,

que só quando cruza a Ipiranga com Avenida São João...

é que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi...”

Tenho quase certeza que até hoje o poeta, músico, cantor e escritor Caetano Veloso, ainda não conseguiu entender Sampa, como ele mesmo chamou São Paulo.

São Paulo é a menina dos olhos de antropólogos, sociólogos, filósofos ou qualquer outra atividade que envolva pensamento e reflexão sobre a humanidade. Segredo indecifrável, tesouro escondido.

Tomando a mim como exemplo, hoje cedo ouvia aquele barulho de chuva gostoso, ótimo para um domingo despretensioso e horripilante para uma segunda-feira repleta de atividades.

Imediatamente levantei imaginando a vinte e três de maio, o trânsito que iria pegar para ir até o centro e resolver alguns pepinos. É terrível este sofrimento precoce em que se imagina o que teremos de suportar ao longo do dia, o que aumenta ainda mais a vontade de ficar na cama. É a mesma mecânica do português que resmungou “lá vou eu me f.... de novo” ao ver a casca de banana no seu caminho a poucos metros na rua.

Nossa cidade se comporta como uma moça que tem cabelos alisados por chapinha: qualquer pingo de chuva que caia, acaba com o dia. E muitas vezes não é preciso nem cair a primeira gota d’água, somente a iminência de chuva com o céu acinzentado e os motoristas entram rapidamente no paradoxo: pressa versus ficar parado no congestionamento.

Convenhamos, existem poucas cidades no mundo com uma estrutura igual à de São Paulo: músicas ao vivo, restaurantes, bares, teatros, cinema, shows em parques e etc. Contudo, não se consegue aproveitar o que a cidade nos oferece de melhor.

Neste ponto, São Paulo me parece muito com uma bela namorada que toda a noite dorme ao seu lado vestindo calça jeans. Sadismo puro.

Após uma semana com engarrafamentos batendo recordes, é difícil encontrar alguém que queira em seus dias de folga pegar uma fila para ir a um restaurante, fila para sentar em um bar ou ir ao cinema.

Paulistas são vacinados desde crianças contra diversos males, e aqui não falo de caxumba, rubéola ou meningite. Quando viajamos para o exterior, por exemplo, são raríssimas as chances de termos nossas carteiras roubadas. Temos o antídoto natural contra furtos, estamos habituados a olhar para frente e sentir qualquer movimentação suspeita que seja feita por nossas costas.

Do mesmo modo, o instinto paulistano nos alerta ao farejar tumulto em determinado lugar, o que nos faz descartar programas dos quais não conhecemos ao pensar em ter de encarar novamente o que foi suportado às lagrimas por toda a semana.

Sorte para quem vem de fora, daqueles que se arrumam para ir ao shopping, acham lindo a muvuca, consideram o trânsito das seis da tarde um grande fenômeno social e a noite aproveitam a cultura, tão próxima e ao mesmo tempo tão distante de nós que vivemos aqui.

Ora, quando me candidatar a deputado, vou propor um projeto de lei invertendo os impostos: pagamos os impostos do interior e o interior paga os nossos. Sairá mais barato e mais justo desse modo.

Afinal, quando queremos curtir e relaxar somos obrigados a ir fora de nossa cidade. Viajamos para a praia, para o interior ou para as montanhas onde conseguimos reabastecer nossas energias e filtrar o stress e más energias da cidade grande.

Realmente, faz muito sentido o meu projeto de lei para inverter os impostos.

Como ninguém pensou nisso antes?


Escrito por Moscou às 10h49 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Stir It Up

Cansado da rotina macabra de paulistano da gema, aguardava apático o atrasado semáforo dar sinal (verde) de vida para o primeiro dos cinqüenta carros a minha frente andar.

Observando o relógio digital que separa um lado de outro da avenida, mas sem ver a hora ou temperatura registrada, sentia somente o calor e ouvia o barulho das motos, que ao lado e ao contrário da pista em que estava, conseguiam milagrosamente andar.

Eis que entre um comercial e outro da rádio sintonizada, como fosse um presente de algum ser incorpóreo que solidarizava com a agonia do paulista que há quilômetros do lugar de onde queria estar, sobrevivia àquilo que virou banalidade do cotidiano, foi selecionada e enviada uma música via ondas sonoras diretamente para os meus ouvidos.

A nota ressoada na primeira fração de segundo da música laçou os tímpanos de uma forma tão enigmática que rapidamente seria possível responder convicto à pergunta que dá nome ao programa “Qual é a Musica?”

Imediatamente, uma cooperativa neurológica fez o cérebro jorrar alguma substância que abstraiu o cenário caótico do outro lado do para brisas e transportou todos os meus sentidos para um lugar distante, mais bem distante.

Como em um videoclipe daqueles gravados em câmera lenta, tudo passou a se mover devagar: os motoqueiros flutuavam como se estivessem montados em nuvens, os outros motoristas que ali estavam se mexiam como se estivessem submersos e seus olhares mostravam vagarosamente a preocupação gerada pela pressa não atendida.

Ao contrário de tudo que havia naquele lugar, os olhos do senhor que há anos aproveita o trânsito para vender as suas balas de goma encheram-se de foco, o que possibilitou entender o que se passava em sua mente naquele instante.

A alma que habita o corpo foi resgatada pelas notas e transportada para um estado de espírito único e, tomado de sensibilidade senti, saudosamente, uma energia que há muito tempo não sentia. Diversas idéias, sensações e pensamentos que tive anos atrás ouvindo a tal música, foram reutilizados pelos sentidos de meu corpo.

Me senti uma pessoa que havia sido há muito tempo atrás.

Após a primeira metade do som um bem-estar imperou dentro do carro que não parecia mais estar em uma congestionada avenida da cidade de São Paulo. Espreguiçar no banco, esquecer da pressa, da buzina, ver a poesia nos passageiros do ônibus foram somente algumas das conseqüências após aquela levada musical.

Ao adentrar no meu cérebro, a música expulsou de alguma quina neurótica uma emoção escondida, cumprindo mestramente uma de suas funções, pois a melodia, assim como o olfato, resgata sensações das quais não temos mais a capacidade de lembrar racionalmente, justamente o que aconteceu.

Morar em São Paulo enrijece o coração. Ter de ignorar coisas assombrosas em nosso cotidiano faz com que as pessoas se tornem insensíveis, frias e calejadas emocionalmente. Consequentemente, paulistanos residem em uma das cidades mais populosas do mundo, e sofrem constantemente de solidão.

Tudo o que senti naquele instante me atentou para o modo de vida que somos forçados a levar: dançar conforme a valsa não é a coisa certa a se fazer neste imenso pedaço de concreto. Aqui, devemos prestar atenção a cada atitude em nosso cotidiano, pulando fora, o quanto antes, deste enorme carrossel.

A intenção do compositor da música que dá nome ao título do texto, foi justamente expressar a paz, a compaixão e o amor para tornar o mundo mais humanizado, unido e justo.

Ouso falar que foi muito além de seus objetivos: conseguiu ressuscitar um ser mais puro, morto dentro de um corpo contaminado.


Escrito por Moscou às 22h51 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Diálogos

“(...) Enquanto o avô, costumeiramente ao entardecer, degustava seu malte refletindo no balanço da cadeira de molas que havia pertencido a seu pai, seu neto sentado ao chão, perto de seus pés, curtia suas férias sentindo a brisa do campo soprar em seu rosto e observando atentamente a cada trago dado no copo por aquele velho senhor.

 - Vô, o que o senhor está bebendo?

- É whisky, respondeu. Uma bebida forte, feita para macho. Uma bebida que como os homens: quanto mais velho, melhor fica.

O menino pensou por alguns instantes e retrucou:

- A vovó não deve gostar de whisky né, vô? Ela disse à mamãe que quanto mais velho o homem, pior ele fica.

-Deixe de falar besteira, menino!

- Quantos anos tem o seu whisky?

- Oras, esse é um whisky nobre, “Passaport” doze anos. Uma iguaria por essas bandas é difícil encontrar. Um processo que passa de geração à geração entre seus produtores para fazer uma bebida rara, que só homens de verdade sabem apreciar.

- Deve custar uma nota preta né, vô?

O avô gesticulou balançando sua cabeça para cima e para baixo admirando com orgulho o seu copo.

- A vovó disse que o senhor manda um amigo trazer caixas dele do Paraguai.

- Menino, vá brincar e não me aborreça. (...)”

 

*

Duas senhoras sentadas em um banco conversam:

- Menina, o meu neto está riquíssimo, sabia?

- Ah é?

- Eu não te falei? Até comprou o carro que o patrão dele estava vendendo. Anda sempre bem vestido, cheio de jóia pendurada no pescoço, tem celular da moda, me compra presente e tudo mais.

- Nossa, deve estar bem mesmo.

- É, ele tá namorando a filha da Gláucia, a dona do bar, sabe?Acho que daqui a pouco ele até pede ela em casamento.

- Pôxa...

- Além de tudo é o moço mais bonito lá da comunidade. Os amigos chamam ele de “brinquinho”, por causa do brinco de brilhante que ele usa na orelha, igual o Romário.

- Que Romário, aquele jogador?

- Ele mesmo, se não fosse pela altura meu neto seria a cara do Romário.

-Hum, nunca gostei muito do Romário.

- Eu sempre adorei!

- Ó nosso ônibus chegando lá muié, para de falar e estica o braço pro motorista vê nóis.

 

*

Dois homens conversam num saguão do aeroporto.

- Caceta, se esse avião cair eu to fudido.

- Que pessimismo é esse, Nestor? Relaxa cara.

- Relaxa? Você diz isso porque não é você que tem filho pequeno, mulher em casa pra cuidar. Imagina só a Sônia em casa desesperada, o Pedro crescendo sem um pai...

- Fica tranqüilo, se você morrer não dou três meses pra Sônia casar com outro.

- Vai se fuder, Renato!

- (risos) Pode ficar sossegado, o piloto do nosso vôo é amigo meu de infância. Estudamos juntos no pré-primário e a mãe dele era muito amiga da minha mãe. É um cara extraordinário, sempre gostou de voar.

- Bom, me admira você ter amigos assim. Você só anda com desmiolado.

- Péra aí, não disse que ele não era desmiolado. Aliás, você conheceu ele no meu aniversário, ele é aquele cara que bebeu de uma vez uma jarra de cerveja e depois se jogou em cima da mãe do Aguinaldo que estava sentada no sofá, lembra?

- Puta que o pariu, aquele é o nosso piloto? Ele levou clorofórmio puro na sua festa e cheirou o vidro inteiro sozinho.

- (risos) É verdade, tinha me esquecido disso. Mas fica tranqüilo, ele só fica doidão quando tem acesso fácil às drogas.

- Caralho Renato, nosso vôo sai de Amsterdan, porra!!!


Escrito por Moscou às 20h59 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Informação Diarréia

No dia 31 de agosto do ano de 1997, Princesa Diana, vítima de um acidente, faleceu na cidade de Paris, juntamente de seu namorado e do motorista que guiava o carro em que trafegavam.

Diversas causas e especulações foram atribuídas ao acidente. Primeiramente diziam se tratar de um complô da inteligência britânica com a Família Real, pois a princesinha sabia além do que deveria sobre os sussurros do palácio onde vivia, e por fim até o pai de seu namorado, o milionário “alguma coisa” Al-Fayed, entrou nas teorias dos que conspiravam a favor de suas mortes.

O problema é que há mais de dez anos que tais fatos ocorreram e a princesa ainda é vítima de manchetes nos diversos meios de comunicação.

Além dos projetos sociais que participou que a tornou mundialmente conhecida como uma pessoa que se importava com os outros, diferente da tal “Família Real” da qual fazia parte, Diana, por várias vezes, encabeçou notícias nos jornais tendo exposto o seu lado mais obscuro.

Suas fantasias, gostos sexuais, bizarrices, com quem dormiu ou deixou de dormir na constância de seu matrimônio são objetos de estudos, ensaios e teses em revistas ou, britanicamente falando, tablóides, na feroz busca pela audiência.

Tende-se não só no Brasil, mas em muitos outros lugares, a santificar as personalidades multimídia, tratando-as como seres supremos, dotados de sabedoria e um pudor inatingível para quem está do outro lado da telinha. Tendência essa que os convertem até em “formadores de opinião” de nosso país, sendo-lhes cobrado, inclusive, comportamento à altura.

Não tento por este texto defender a princesa nem outro famoso, porém, os veículos de informação, ao contrário de sua essência, se fazem através de um jogo apelativo sobre celebridades e demais fatos do nosso cotidiano.

Em contrapartida a essa exploração, as “estrelas” que ganham a vida através de sua imagem têm emoção, vontades e impulsos como nós, “pobres mortais da vala comum”. Dizem até que no meio em que vivem os limites vão muito além do que imaginamos.

Cansei de ouvir sobre personalidades que ao inverso de seu marketing pessoal nos programas de auditório domingueiros, praticam orgias mentais, sexuais ou toxicomaníacas atingindo alto grau de depravação.

É lógico que a princesa, em seu auge físico e sexual, deveria “abandonar” seu marido que, dizem as lendas, preocupava-se demais com as atribuições reais e não supria as necessidades de carinho de sua mulher. Da mesma forma, não se pode acreditar que os atores e atrizes das sagradas telenovelas brasileiras não tenham bafo, não sofram de diarréia, hemorróidas, sejam apáticos, não sintam ódio, depressão, tesão e até pratiquem bizarrices.

Entra aqui o instinto animal do homem. Talvez o mesmo que faça cães comerem e rolarem em cima de fezes nas praias, o que nos deixa perguntando por que raio de motivo aquele pobrezinho faz aquilo. Aliás, até agora tento descobrir o que leva uma pessoa a gostar de ser cagada por outra. Talvez algum amigo psicólogo possa esclarecer essa questão com mais fundamento.

Último ano sobrou até para Che Guevara, onde expunham um lado do líder socialista que muitos não conheciam ou ignoravam. Esqueceram ou não querem se lembrar que antes de herói, existe um ser humano que em sua essência tende a ser egoísta e errar, como qualquer outro.

Assim, ignoremos o fato de fulano estar em uma clínica para dependentes químicos, a moça ter “acoitado” no mar em meio a uma praia na Espanha, as fofocas do mordomo que sabia exatamente a cor e onde a princesa guardava seu consolo real ou até o fato de que tal personalidade que transborda de idoneidade moral é, na realidade, o oposto do que a nação acredita, pois a cagada, é a característica principal do ser humano. (não é só do Lula, não!)

No entanto, acredito que deveríamos prestar mais atenção à outra característica da essência do homem: olhar a merda alheia é muito mais fácil do que tentar corrigir a nossa.


Escrito por Moscou às 21h15 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Primeiro aniversário do Blog

Só sucesso... Assim, caros amigos leitores, com muito carinho, emoção e enxugando as lagrimas de meu rosto que começo uma blogada especial, pois exatamente há um aninho atrás, escrevia o primeiro texto (leia no link ao lado) do meu querido espaço na web.

Como não se orgulhar deste primeiro ano de blog? Contando com esse foram 36 textos escritos, cada um com sua peculiaridade. Uns mais humorados outros mais revoltados, alguns sem nexo e outros extremamente coerentes. Cada um representando uma idéia, uma reflexão altamente pertinente das atualidades mundiais (olha a moral), um reflexo de humor, um espasmo ou abstração mental.

Para início de conversa, no caso, de texto, se trata do relacionamento mais duradouro de minha vida. Garota alguma teve, até hoje, o privilégio de saber o que se passa dentro dessa cabecinha divina durante um ano. Das poucas que se aproximaram desse presente dos deuses, uma se matou no sexto mês e a outra está internada num hospital psiquiátrico de tratamento elétrico intensivo. Mas enfim, não vou entrar nesse mérito justamente hoje.

Trata-se de uma relação que vai além da “obra e autor” para o universo “pai e filho”. Ver os primeiros dentes, fios de cabelo, a primeira engatinhada, a primeira cagada com cor escura é, para um pai, uma emoção, sentimento esse que analogamente se traduz a cada dedada que dou no meu querido teclado, amigo íntimo de meu umbigo e de minhas cuecas samba-canção.

Há um ano dizia que o blog “é a calha de meu brainstorm diário”, hoje, exatamente 365 dias depois, vou mais longe: meu blog se tornou o dreno da minha fossa. Não falo aqui de depressões ou momentos de tristeza, mesmo porque o “Blogando as idéias Moscounianas” faz depressivos sorrirem e sentirem alegria em viver, mas sim do lugar onde posso canalizar, não só idéias “normais”, como as maiores besteiras criada pela minha criativa e adubada mente. E hoje borro, cheio de pretensão, os documentos em branco que o Word me oferece sem hesitar.

Perdi as contas das barbaridades aqui faladas, ops!, escritas, que foram: de tratados sobre flatulências (continuo a afirmar que o pum deve ser desmarginalizado), passando por finais de semana glamourosos em ilhas no litoral carioca, até histórias sem nexo sobre sapos impotentes ou crianças infernais.

De outro lado, este aclamado blog contestou divinamente a comédia nos bastidores da política nacional e internacional, chicoteou questões ambientais e ainda questionou de maneira nobre, comportamentos de nossa juventude.

Ainda, diversos outros “insights” foram aqui registrados.  

Não se vê em nenhum outro meio de comunicação opiniões tão bem escritas, oferecendo conteúdo, cultura e diversão como em meu blog. Assim, em apenas um ano de existência, o “Blogando as Idéias Moscounianas” se tornou, merecidamente, referência mundial de informação e opinião.

No terceiro mês de existência ganhava o prêmio revelação da Associação de Críticos e Formadores de Opinião do Brasil. (“o quê?”) No quinto, o The New York Times publicou um ensaio sobre os efeitos de meu blog no mundo ocidental. Três meses depois, estava chocando o lado oriental do globo com indagações e formulas perfeitas para a humanidade viver em plena harmonia, já que a essa altura minhas palavras eram traduzidas para mais de vinte línguas em todo mundo. Caso os desavisados não saibam, meu blog é o favorito para o Nobel de Literatura em 2008, uma honra, sem a sombra de dúvidas. (“ah, vai cagar no mato”)

Agora sem sacanagem e voltando a realidade, foram horas a fio de evasão mental, sincronizando letra por letra, textos para que meus queridos amigos leitores pudessem desfrutar, fosse esvaziando ou agregando algo em suas cabeças. Uma atividade que se tornou muito maior do que simplesmente o ato de escrever.

Gostaria de deixar aqui registrado o meu agradecimento do fundo do coração a todos que dão força, acessam semanalmente (tentarei manter a mesma assiduidade – para o azar de vocês), comentam, são sinceros, criticam construtivamente (para os destrutivos eu desejo a morte), e torcem para que a cada semana o nivi (nível, em analfabeto) de meus artigos melhorem.

Se não fosse a força e o “feedback” de meus milhões de leitores em todo mundo (“porra, de novo Moscou!?”),  talvez este teria sido um domingo comum para mim.

Enfim, além do cheiro do cigarro que vem do apartamento do vizinho, posso sentir no ar um ano repleto de criações, engrandecimento, burlescos e idéias novas. Já posso sentir a inspiração e a transpiração de cada reflexão para deixar registrados meus pensamentos neste espaço virtual. Posso ouvir e ver ainda Roberto Carlos, com seu paletó azul, sorriso inconfundível, carisma e madeixas grisalhas cantar hoje, especialmente para mim: “Hoje eu estou aqui, vivendo este momento lindo... ...se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi...” A trilha perfeita para um dia tão especial.

E que seja o primeiro de muitos...

 


Escrito por Moscou às 21h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Adevogando

E foi matando nos dentes um leão por dia, ignorando a sedução do sono, da preguiça e do tédio, que após cinco anos de luta terminei a faculdade de Direito.

Prestes a ser publicado o resultado definitivo da primeira fase do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, da qual adoro chamar de OABunda, me pus à refletir o porquê que eu, um sujeito extremamente informal, fui escolher a formalíssima profissão de “adevogado”.

Me lembro, ainda no cursinho, quando preenchendo a ficha de inscrição do vestibular optei pelo quadrado referente a carreira jurídica. Naquele tempo acreditava no Direito, acabara de chegar de uma temporada fora do país, vinha com um espírito brasuca e nacionalista em chamas, que ardia no peito ao ver mendigos pelas ruas, a falta de educação de nosso povo ou quando, pela televisão, assistia as maracutaias cometidas pelos representantes do povo no congresso. Acreditava que teria as ferramentas principais para lutar contra tudo o que considerava errado em nosso excêntrico quadro social. Costumava falar que o Brasil valia a pena, e que o Direito, apesar de não ser a menina dos meus olhos, era algo em que conseguiria trabalhar.

Doce ilusão...

Logo no primeiro ano de faculdade, Rui Barbosa, figura histórica e dogmática do Direito, sabe-se lá por qual motivo, resolveu tomar a forma de vida em meu corpo. Não sei ao certo como sua protuberância cefálica, mesmo em forma de luz, conseguiu se encaixar dentro da minha jaca, que, diga-se de passagem, não é das menores, mas sua alma fez com que inesperadamente me tornasse um dos alunos mais focados e aplicados da classe.

De cara um susto para aqueles que me conheciam de longa data e estavam a par das inúmeras professoras particulares, diversas notas vermelhas e indisciplina escolar durante o ensino básico e fundamental da minha vida.

O bom senso e a razão do homem médio (aquele que não é muito alto, nem muito baixo), tão falados nos princípios da doutrina jurídica, eram a fórmula “moscouniana” do Direito, o que me garantiu facilmente a passar pelos primeiros dois anos de penitência estudantil.

Já no terceiro ano, meu chefe em um escritório de “adevocacia” onde trabalhava, influenciado pela luz de Rui, que de vez em quando assumia temporariamente as rédeas de minha personalidade, decidiu me passar algumas ações das quais teria o dever de cuidar como fosse o “adevogado” das causas. No princípio achei o máximo, pois tal responsabilidade, para um terceiro anista que fugia completamente à embalagem do que seria um operador do Direito, era uma vitória, uma confirmação de que meus esforços estavam surtindo algum efeito.

Ao mesmo tempo, havia um certo desleixo de minha parte e por mais que realizasse minhas tarefas obtendo êxito, esquecia completamente de algumas outras de não menor importância. Lembro que era sempre o primeiro a ir embora do escritório, e no final do dia na Av. Paulista, a poética e maluca “locomotiva do país”, andando em direção ao estacionamento para pegar meu carro, parecia o super-homem, arrancando a gravata, o paletó e negando, a todo custo, a forma “coxinha” de se portar juridicamente. Chegava na faculdade somente de calça social, tênis, camiseta e, como não podia faltar, o cabelo todo bagunçado.

Sem ofender os que vestem a camisa da profissão: mas até hoje, qualquer pessoa de terno e óculos andando pela rua, me dá arrepios.

Não suportava mais ouvir os sintéticos e super-formais “por gentileza”, “por obséquio” nos fóruns, nem me deparar com a maneira de andar como fulano sofresse severamente de hemorróidas. Não agüentava mais ver pessoas que assumiam uma postura totalmente diferente do que eram, até a voz e as gesticulações tomavam proporções artificiais. E as ratinhas de fórum... Ai ai ai as ratinhas de fórum, que com seus óculos quadradinhos, suas perninhas rapidinhas e a pasta do escritório apoiada no umbigo, perambulavam pelos sujos corredores das repartições à procura de um lugar na fila dos cartórios.

Sabia que havia algo errado, o que só veio à tona nitidamente nos dois últimos anos daquela novela, quando não me interessava pela área mesmo trabalhando no meu próprio negócio.

Mas continuei assim mesmo, lutei semestre após semestre consciente que caso desistisse àquela altura, me graduar em um outro curso seria um verdadeiro martírio. O que de certa forma, fez ainda mais aumentar o bode por aquela profissão.

Deixo aqui registrado que estou longe de ter qualquer tipo de preconceito contra “adevogados”, muito pelo contrário, bato palmas em pé para quem exerce, abraça e luta pelo Direito de nosso país. Afinal, precisa ser um guerreiro para na atual condição da justiça, ir a fundo nesta profissão.

Mas agora a pergunta que não quer calar, e que muitos devem estar se fazendo, é porque eu, em meio a todo esse discurso inflamado contra a classe, estou estudando e quero ter meu nome inscrito nos livros da Ordem dos Advogados do Brasil? Foi o que me perguntei hoje, na primeira aula para a segunda fase (passei pela primeira, aliás) deste emérito exame.

Essa pergunta, meus caros senhores, só respondo na presença de meu advogado.


Escrito por Moscou às 15h57 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Crianças

Crianças nos surpreendem a cada instante. A mistura da pureza, ingenuidade e criatividade aliada à espontânea maneira de exteriorizar seus pensamentos e idéias sobre o mundo, criam um universo curioso, surreal e, na maioria das vezes, cômico.

O ponto de vista infantil é tomado de uma sensibilidade que nós, adultos, não temos mais a capacidade em sentir.

Toda criança tem um pé na pirotecnia, a perplexidade que o fogo causa no ser humano desde o tempo do homem primitivo ainda levará milhões de anos para desaparecer do instinto animal.

Certa vez, aproveitei o descuido de minha mãe enquanto conversava ao telefone para, com uma caixa de fósforos, um cobertor e uma bandeira de plástico do Brasil, fazer uma fogueira no carpete de seu quarto. Por sorte, ela correu a tempo de apagar as chamas do cobertor e do carpete, já que a bandeira, a essa altura, estava incinerada. 

Não lembro se naquela idade (entre cinco ou seis anos) já reparava as atrocidades em nossa terrinha e nem acredito que meus pais, àquela época, conversavam comigo sobre política e desigualdades sociais, mas por algum motivo, a bandeira canarinha foi a primeira a queimar.

Talvez inconscientemente influenciado por um tio meu, que décadas antes, mais ou menos com a mesma idade, tentara incendiar o sofá da casa de minha avó, acendendo cigarros e dando seus primeiros tragos, escondido.

Dona Nena, uma senhora que trabalhou alguns anos em minha casa, sofria diariamente em minhas mãos recebendo tapas em sua traseira, seguidos de um: “Êeee bundãaooo.” Para piorar, dizia que D. Nena possuía “peitães” enormes, e em conflito com a sádica língua portuguesa, relutava a entender que a rua Brigadeiro Luiz Antônio não tinha nada a ver com doce e após soltar alguns quilos de fezes em minha cueca disse: “- sis caguei todo!”

Meu sobrinho, com quase três anos de idade também coleciona umas boas: a cada dia acorda e é um super-herói diferente, me corrigiu quando falei “Power Rangers” abrasilierado ao invés de “Power Rangers” no maior sotaque americano. Disse ainda que ser criança é muito chato e quer ser adulto, já que gente grande pode fazer tudo que quiser. Mal sabe... Há um tempo pedi a ele um abraço e friamente respondeu com um “não”, virando as costas na seqüência, o que me deixou de braços abertos e um pouco sem graça. Esse tipo de sinceridade, característico das crianças, às vezes machuca.

Outra boa foi uma menina de uns cinco anos de idade, que por volta das quatro horas da manhã acordou e gritou pela sua mãe, que às pressas foi acudir sua filha. Ao chegar ao quarto da menina, essa pediu para que sua mãe contasse uma história para pegar no sono. A mãe respondeu: “- espere seu pai chegar filhinha, ele contará uma história pra você, e outra pra mim”.

Embalado pela mania de super herói, no dia da foto da classe da escola em que estudava, minha mãe só conseguiu me fazer ir com a condição de ir vestido com a fantasia de super-homem que havia ganhado dias antes. Eu tinha 17 anos, e até hoje tenho em meu álbum de recordações essa foto.

Beirando a falta de noção infantil, um amigo inventou de largar sua esposa no carnaval e ir para Salvador. Lá caiu na gandaia todos os dias, bebeu e fez tudo o que tinha direito. Ao voltar para sua casa, encontrou sua metade do armário vazia e duas malas cheias de suas coisas na portaria de seu prédio.

E para finalizar, ouvi uma história de um grupo de paulistas que foi passar o reveillon em uma cidade do interior de Goiás, e por aquelas bandas riam o dia inteiro, mal se alimentavam, foram a festas todas as noites, deixavam o povo chocado e mesmo assim, a cidade chorou quando os “bandoleiros” foram embora daquele lugar.  

Ai ai ai,  essa criançada...


Escrito por Moscou às 19h40 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





Turismo é Viagem

Havia um bom tempo em que virava o ano pulando ondas nas praias do litoral brasileiro. No entanto, cansado de enfrentar a loucura em que nossas areias se transformam na temporada e com o intuito de não cair na mesmice que sucede ano após ano perto do mar, troquei drasticamente o cenário de onde abriria a tão esperada garrafa de champanhe.

Caldas Novas, no interior de Goiás, conhecida por suas águas termais e por seu calor escaldante foi a cidade onde contaria regressivamente a chegada do ano de 2008.

Situada no centro do Brasil, cercada por uma espécie de chapada, onde o sol esquenta até onde não bate, e por ser construída sobre uma bacia hidrográfica da mais quente, o calor nessa estância faz qualquer ser ficar com a pressão baixa, ainda mais se ficar em “banho-maria” por algumas horas em alguma de suas piscinas.

Sempre tive a impressão de Caldas ser uma cidade freqüentada somente por grupos de idosos, excursões transbordando de avós, que descansavam, mijavam e relaxavam em suas águas sulfurosas, que até então acreditava serem magnéticas ou até rejuvenescedoras.

A preguiça, peculiaridade caricata da maioria da população que vive em terras calorosas chega até a se justificar quando se entra em uma de suas bacias termais: uma vez dentro, não se quer levantar por nada, seja lá qual for o motivo. É o Lexotan dos pobres.

Caldas também me surpreendeu pela animação das pessoas que a escolhem para a passagem de ano: comparecem brasilienses, goianos e mineiros, todos embalados por muita música axé e principalmente pelos funks mais recentes, que das diversas caixas de som em seus carros, estremecem as estruturas das construções e abalam os tímpanos dos que a passeio, vagueiam a princípio de um desmaio em suas ruas.

O Brasil é cheio de outras cidades como essa: lugares contagiantes, com povo divertido e cheio de amor, embalados por um astral peculiar de país tropical. Povo hospitaleiro, agitado, mulheres exuberantes, preço irrisório e sorrisos fazem parte deste menu, que por sua vasta opção de turismo, tende a crescer a cada verão.

Qualquer gringo que venha passar suas férias na temporada brasileira volta para sua terra com diversas garrafas de pinga, rosto avermelhado, máquinas fotográficas cheias de boas recordações e com um pedaço de nosso país em seu coração.

E isso tudo considerada a chance de topar com um veloz batedor de carteiras ou então parar no peito uma bala sem destinatário, o que, de certa forma, apimenta ainda mais o passeio.

No entanto, europeus, norte-americanos e asiáticos não se abalam com os números que a imprensa brasileira divulga. Em meio a milhares de pessoas, somente algumas levaram tiro, algumas dúzias tiveram carteiras, câmeras e pingentes roubados e raríssimos foram os que as águas-vivas, em sua passagem por nossa costa, vitimaram.

Por isso vêem em pencas, querem se divertir, beber caipirinha, beijar mulatas, tomar banho de água-de-coco, usufruir de nossas praias, de nossa alegria, de nosso alto astral.

Virado o ano ou comemorado o carnaval vão embora sem culpa, levam o sorriso e deixam as lágrimas das caboclas que sonharam com a Europa ao sentir o cheiro da porção de lula sendo frita que os “pretendidos” lhes compraram, visando uns amassos.

Caldas Novas não é diferente, dois dias após o reveillon os fantasmas voltavam a tomar conta de suas ruas inundadas de panfletos e sujeira que os visitantes deixaram. Os prédios não mais estremeciam, as senhoras voltaram a caminhar pelas ruas com suas sombrinhas e o número de fios de cabelos nos ralos das diversas piscinas diminuiu drasticamente.

O turismo faz nosso país parecer uma prostituta, onde uma vez usufruído seu carinho e afago, é deixada na rua, toda bagunçada, com somente alguns trocados no bolso.

Quando aplicaremos a palavra do momento: SUSTENTABILIDADE?


Escrito por Moscou às 14h36 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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